Confederação Brasileira de Desportos no Gelo

Patinação Artística

Beleza em Movimento

A Patinação Artística é um dos mais populares esportes de inverno, e foi o primeiro a ser incluso em uma edição de Jogos Olímpicos, em Londres, na Inglaterra, no ano de 1908. Considerado não apenas um esporte, é muito comum ver espetáculos de patinação sem cunho competitivo, e atletas já aposentados continuam fazendo shows e apresentações de gala.

História

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Acredita-se que o ato de deslizar sobre o gelo tenha surgido há 3.000 anos atrás, no sul da Finlândia, porém a Patinação Artística teria surgido ainda depois da patinação em velocidade, no século XVIII. O considerado pai do esporte contemporâneo, é o americano Jackson Haines, o primeiro patinador a incorporar movimentos de dança e ballet ao esporte. Haines desenvolveu um novo tipo de lâmina, diferente da utilizada na patinação em velocidade, e foi o primeiro a utilizar patins em que a lamina era inteiramente ligada a bota. Na américa, no entanto, a forma rígida de se patinar originada na Inglaterra ainda era dominante. Haines, descontente, decidiu difundir seu método artístico na Europa, onde ganhou reconhecimento em países como Suécia e Áustria. Em 1868, em Viena, na Itália, Haines impressionou um grande público com sua bela apresentação, e então a patinação artística começou a se popularizar na Itália, com a formação da Escola de Viena, determinante na difusão do esporte.

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Haines morreu de tuberculose aos 35 anos, e seu estilo de patinação apenas se tornou popular nos EUA anos após sua morte.
A International Skating Union (ISU), foi fundada em 1892, e redigiu as primeiras regras do esporte, a partir dali, regendo tanto a patinação artística como a em velocidade. Em 1896 o primeiro campeonato internacional foi sediado, na cidade de São Petersburgo, na Rússia, em 1908, a Patinação Artística se tornou o primeiro esporte a ser introduzido em uma edição dos Jogos Olímpicos, na cidade de Londres, Inglaterra.

Equipamento e Pistas

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Os dois principais equipamentos da patinação são o par de patins e o vestuário. Ambos devem ser feitos para auxiliar a performance do atleta e combinarem com o tema da apresentação. As pistas são semelhantes às de Hockey e da Patinação em Velocidade, porém não possuem marcações.

Patins – Os patins são feitos com couro, um salto de madeira e uma lâmina de aço. Diferem dos patins de Hockey por não serem feitos para aguentar batidas, e sim para auxiliar no pulo e no balanço dos atletas.

Vestuário – Influenciam diretamente na competição. São feitos sob medida para se ajustarem o máximo possível ao corpo do atleta, além de fazerem parte importante para a combinação da música e da apresentação.

Pistas – As pistas podem ser naturais ou artificiais. As pistas naturais existem apenas em países com clima frio, e durante a temporada de inverno. As pistas artificiais podem ser construídas em qualquer clima, e são utilizadas para as competições oficiais. As medidas Olímpicas são 30m x 60m e as pistas devem ter seu gelo restaurado periodicamente, para não haverem acidentes.

A Competição

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As apresentações diferem dependendo da categoria, e o tempo de execução e o modo de avaliação são próprios para cada categoria.

Categorias Individuais (Masculino e Feminino)São compostas por dois programas, o programa curto, em que o atleta executa movimentos pré-determinados, e o programa longo, ou Free Skating (Patinação Livre) em que o atleta define sua apresentação. Em algumas competições os atletas só se apresentam no programa livre caso se classifiquem no programa curto.

Programa Curto – Têm dois minutos e meio de duração, e os atletas devem exercer os movimentos requeridos, apesar de a ordem ser opcional.
Programa Livre – Dura quatro minutos e meio para os homens e quatro minutos para as mulheres. Os patinadores montam suas apresentações, devendo constar saltos e giros, além de uma atenção especial dada à coreografia, a interpretação e à todo o trabalho corporal.

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Pares e Duplas – No caso dos pares os elementos são executados lado a lado ou de forma espelhada. As Duplas apresentam movimentos similares a apresentação solo, adicionados dos movimentos que só podem ser executados em dupla, tais como os levantamentos e piruetas sincronizadas, em que o casal gira ao mesmo tempo. Outro movimento que requer grande prática, sincronização e excelência de plasticidade é quando o homem lança a mulher, auxiliando o salto.

 

Dança no Gelo – Nesta categoria, a dupla de patinadores é avaliada principalmente pelos elementos da dança. Não são permitidos saltos, piruetas ou levantamentos sobre as cabeças, formando uma modalidade puramente artística.

Esta disciplina é composta por dois programas:
– Dança Curta (Short Dance)
– Dança Livre (Free Dance)
De modo a diferenciar a Patinação de Dança da Patinação de Pares há uma série de regras que os pares de dança são obrigados a cumprir; não são permitidos saltos com mais de meia volta ou piruetas e os patinadores não podem estar separados mais do que poucos segundos ou compassos musicais.
Nesta disciplina o ajuizamento é feito com base no nível de dificuldade dos passos/trabalho de pés, o entrosamento entre os parceiros, o ritmo e a harmonia com a música.

Os Elementos das Apresentações

Existem diversos elementos na patinação, alguns obrigatórios para todas as apresentações. Todos os movimentos rendem pontos que são somados para a avaliação final.

Piruetas (Spins)

As piruetas são um componente técnico da Patinagem Artística, em que o atleta roda sobre si próprio num indeterminado número de voltas. Essa rotação pode ser executada nos dois ou apenas num pé (direito ou esquerdo). Podem existir combinações de piruetas em que se muda o pé de apoio sem nunca parar a rotação. Cada pirueta para ser considerada como tal deverá ter no mínimo uma rotação de três voltas em cada pé.
As posições das piruetas podem variar desde a posição de pé, sentada e avião, sendo estas as posições básicas.
Os exemplos que se seguem são alguns das piruetas básicas para esta modalidade, podendo, no entanto existir variantes para cada um deles:

Pirueta para a frente: uma pirueta rápida executada na posição de pé em que o peso está sobre o rodado interior. O primeiro dente da serrilha toca ligeiramente a superfície do gelo.
Pirueta para trás: tem a mesma rotação que o anterior mas o peso está sobre o rodado externo do pé contrário. Roda no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio.
Pirueta layback: é uma pirueta para a frente ou para trás (menos usual) numa posição especifica (Layback =inclinação do corpo para trás).
Pirueta sentada: pirueta feita na “posição sentada”; o corpo está próximo do gelo com o joelho da perna de apoio bem dobrado.
Pirueta de avião: é uma pirueta para a frente em posição de avião (“T” paralelo à superfície do gelo, com a perna livre numa posição horizontal).
Pirueta saltada: pirueta com a entrada saltada, seguido de uma pirueta sentada ou de uma pirueta de avião.
Além destas piruetas existem outras que são variações das piruetas básicas. Foram piruetas que vários atletas tiveram imaginação e habilidade para faze-los.

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Saltos –Consideram-se saltos os exercícios que sejam feitos pelo patinador com uma rotação superior a meia volta e cuja entrada e saída seja feita apenas num pé. O pé de entrada e de saída pode variar consoante o tipo de salto.

Na maioria das vezes o pé de entrada do salto é diferente do pé de saída, no entanto existem saltos em que isto não se verifica. Todos os saltos podem ser combinados entre si e considera-se uma combinação de saltos quando o pé de saída de um salto corresponde ao pé de entrada para o salto seguinte, não havendo entre eles nenhum passo que os interliguem. Normalmente os saltos são executados com rotação oposta ao dos ponteiros do relógio, contudo e caso se trate de um atleta canhoto, estes são realizados no sentido horário e com o pé contrário.

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Seguem-se alguns exemplos de saltos com grau de dificuldade crescente:

Salto de Valsa: salto de meia volta, com entrada de frente num pé e saída de costas no pé contrário.

Toe Loop: salto picado, isto é, a entrada do salto é feita com ajuda da serrilha do pé esquerdo (neste caso) e de costas. É um salto em que a rotação mínima é de uma volta.

Salschow: é aproximado a uma volta de três (volta num pé sem sair do chão). A entrada é feita de costas e a perna de impulso é a esquerda. No momento da impulsão a perna direita aproxima-se da esquerda para dar a rotação necessária.

img-saltos-2Loop: a entrada deste salto é feita de costas e a perna de impulso é a mesma que a da saída.

Flip: é um salto que é feito com a ajuda da serrilha do pé direito e sobre o rodado interno do pé esquerdo; a saída é feita na perna direita.

Lutz: é semelhante ao anterior diferindo apenas no rodado da entrada que neste caso é exterior.

Axel: este salto tem a rotação mínima de uma volta e meia por ser um salto em que a entrada é feita de frente com a perna esquerda a ser a de contacto com o gelo e a perna direita a perna de saída do salto.

Os saltos podem ser executados com rotação simples (1 volta no ar), dupla (2 voltas no ar), tripla (3 voltas no ar) e também quádrupla (4 voltas no ar).

A maioria dos saltos tem o nome da pessoa que primeiro o efetuou em uma prova, por conta disso, não existe tradução para outras línguas.

Regras de Avaliação e Pontuação

Até 2004 o sistema utilizado era o 6.0, até que por conta das controvérsias envolvendo o método nos Jogos de 2002, a ISU decidiu adotar o método internacional, agora chamado de ISU Judging System.

Sistema 6.0 – O sistema era dividido em “mérito técnico” (Free Skating), “elementos requeridos” (programa curto) e “apresentação” (nos dois programas). As notas variavam entre 0.0 e 6.0, cada juiz dava as suas próprias notas, que então eram combinadas para definir a colocação final dos atletas. Apenas dois atletas conseguiram notas 6.0 de todos os juízes, a dupla inglesa da dança no gelo composta por Jayne Torvill e Christopher Dean, nos jogos de 1984. O sistema permaneceu em uso até os Jogos de 2002, quando um escândalo envolvendo as notas e trocas de juízes fez o sistema ser substituído pelo sistema da ISU.

ISU Judging System (sistema de julgamento da ISU) – O sistema atual é dividido em duas etapas. O especialista técnico avalia o replay instantâneo e julga se os elementos apresentados estavam de acordo, anotando qualquer erro ou irregularidade. Então, após passar pela etapa técnica, os vídeos dos elementos são mandados para o painel de julgamento, onde nove juízes avaliam e dão as notas finais.

 

Principais Competições

A ISU organiza todas as principais competições e eventos tanto da Patinação Artística como da Patinação em Velocidade. A patinação artística é dividida em quatro disciplinas: Men’s Singles (Masculino), Ladies’ Singles (Feminino), Pair Skating (Duplas) e Ice Dancing (Dança no Gelo).

 

Campeonato Mundial de Patinação Artística

A primeira edição do campeonato ocorreu em 1896, em São Petersburgo, na Rússia, onde apenas quatro atletas participaram. A Patinação Artística era considerada um esporte apenas para homens, embora não existissem regras que restringissem mulheres de participar, até que em 1906, em Davos, o primeiro campeonato feminino foi sediado. A primeira competição por duplas ocorreu em 1908, porém por muito tempo era considerada indecente e sua prática era proibida em alguns países, como o Japão, que havia se candidatado para sediar os jogos de 1940. Os juízes eram outro grande empecilho nas primeiras competições, como exemplo, na edição feminina de 1927, em Oslo, na Noruega, três dos cinco juízes eram noruegueses, e deram o título para a também norueguesa Sonja Henie, enquanto os dois outros juízes, um austríaco e um alemão apontaram a atual campeã, Herma Szabo (AUS) como a verdadeira vencedora.

As três categorias começaram a ser disputadas na mesma edição apenas em 1930, na cidade de Nova York, EUA. Em 1936, a categoria Ice Dancing passou a fazer parte do evento, até que em 1952 foi efetivada oficialmente.

O número de participantes da mesma nacionalidade por categoria foi limitado a três em 1960. Em 2005, o sistema 6.0 de julgamento foi trocado pelo ISU Judging System, sistema oficial da ISU.

Maiores Vencedores:

Masculino – Ulrich Salchow (SWE) – 10 vitórias

Feminino – Sonja Henie (NOR) – 10 vitórias

Duplas – Irina Rodnina (URSS) com 10 vitórias e Alexander Zaitsev (URSS) com 6 vitórias

Dança no Gelo – Liudmila Pakhomova/Alexander Gorshkov (URSS) – 6 vitórias

 

Patinação Artística nos Jogos Olímpicos

A Patinação Artística foi o primeiro esporte de inverno a ser introduzido em uma edição dos Jogos Olímpicos, em 1908, em Londres, na Inglaterra. Em 1912 e 1916 os Jogos foram cancelados por conta da primeira guerra mundial, voltando em 1920, e em 1924, o esporte foi transferido permanentemente para os Jogos de Inverno, na sua primeira edição, em Chamonix, na França. Em 1908, a categoria Dança no Gelo não estava inclusa, e sim a categoria Men’s Special Figures (Figuras Especiais para Homens), em que o atleta que fizesse as melhores figuras no gelo ao patinar ficava com o ouro, essa categoria foi extinta, e desde então não apareceu mais em nenhuma edição dos jogos. Em 1976 a Dança no Gelo foi introduzida e em 2014 a categoria Mixed Team (Time Misto), em que um time com um patinador homem, uma patinadora, uma dupla e uma dupla de dança competem contra outros times.

O Brasil na Patinação Artística

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A Patinação Artística é um esporte em crescimento no Brasil. Recentemente a atleta brasileira, Isadora Williams, conseguiu a primeira vaga para o país em uma edição dos Jogos Olímpicos, e atualmente figura como uma patinadora de destaque no cenário mundial.

O Brasil na década de 80 tinha uma estrutura maior para a patinação, no entanto, a falta de um órgão organizador fez com que diversos atletas tivessem seus caminhos interrompidos. Antes de Isadora Williams conseguir a primeira vaga brasileira em uma edição de Jogos Olímpicos, várias atletas brasileiras tentaram a classificação, esbarrando na falta de organização presente na época. Entre elas Giselle Thurm, Stephanie Gardner, Simone Pastusiak, Stacy Perfetti, Elena Rodrigues e Alessia Baldo.

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Isadora Williams – Isadora é o principal nome do brasil na patinação, tendo conseguido grandes resultados em competições internacionais, inclusive a inédita vaga olímpica. A brasileira começou a patinar aos cinco anos de idade, e decidiu que representaria o Brasil nas competições. Se tornou uma das primeiras atletas do país a participar dos mundiais de júniores, onde terminou em 16° em 2012, mesmo ano em que conseguiu o bronze no Golden Spin of Zagreb. Em 2013 quase conseguiu a primeira vaga do país para um mundial da modalidade, ficando uma colocação atrás da última classificada. Em 2014, fez história ao se tornar a primeira brasileira classificada para uma edição dos Jogos Olímpicos na patinação, terminando em 30° lugar. Hoje é considerada uma atleta de destaque mundial, e é constantemente convidada para eventos e apresentações.

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