Confederação Brasileira de Desportos no Gelo

O vento corre em nossas veias

A Patinação de Velocidade é um esporte de inverno que data do século XVI, em que dois ou mais atletas disputam corridas sobre pistas de gelo. O esporte altamente popular na Holanda e na Noruega experimentou um crescimento significativo no cenário dos esportes de inverno nos últimos anos.

História

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As raízes do esporte datam de mil anos atrás, na região da Escandinávia, da Holanda e do Norte Europeu, onde os nativos colocaram ossos sob seus calçados para apostar corridas sobre lagos, rios e canais congelados. Estudos dizem que o ato de deslizar sobre o gelo se originou a 3.000 anos, no sul da Finlândia. No século 16 a atividade começou a ser vista como um esporte em potencial. Na Escócia, em 1592, os primeiros patins com lâminas de aço foram confeccionados, o que foi fundamental para a popularização da modalidade. Em 1642 foi fundado o primeiro clube, o Clube de Patinação de Edimburgo, e em 1763 o mundo viu a primeira corrida oficial, na cidade de Fens, na Inglaterra, organizada pela Associação Nacional de Patinação no Gelo.

img-historia-pat-velocidade-1O primeiro campeonato mundial de patinação foi organizado pela Holanda, em 1889, e subsequentemente, em 1892, a International Skating Union (ISU) foi fundada, sendo a mais antiga federação de esportes de inverno. O esporte se desenvolveu e foi avaliada a sua ingressão nas Olímpiadas de Verão de 1916, sendo que a patinação artística tinha feito parte do programa olímpico em 1908, porém a primeira guerra mundial adiou o projeto. A patinação foi então incluída na primeira edição das Olímpiadas de Inverno, no ano de 1924, em Chamonix, na França.

Equipamento e Pista

img-equipamentos-patinacao-velocidadeA Patinação de Velocidade necessita de três equipamentos básicos, e o custo de construção e manutenção de uma pista de patinação é consideravelmente menor do que as pistas de esportes como Bobsled, Skeleton e Luge.Patins – Quanto maior for a lâmina, mais velocidade o atleta atinge, porém laminas muito grandes podem ser um empecilho, visto que podem atrapalhar o atleta. As lâminas são presas apenas pela parte da frente dos patins.Visores – Os visores protegem os atletas do vento e partículas de gelo que podem se soltar da pista, além de melhorar a visão.Roupa – Os patinadores usam roupas finas que ficam justas na pele para diminuir a resistência do ar. As roupas normalmente são adaptáveis ao corpo do atleta.Pistas – A pista de patinação deve ser oval e suas duas pontas devem ter o ângulo de 180 graus e o tamanho das raias de competição deve ser de quatro metros. Desde 1960 as pistas devem ser inteiramente de gelo artificial.Tamanho da pista:
– Long Track: oval específica de 400 m
– Short Track: 30 m x 60 m – a mesma da Patinação Artística e do Hóquei no Gelo.

As Provas

Pista Longa / Long Track: Em todas as distâncias, com exceção dos 500m, os patinadores competem uma só vez e o atleta campeão é aquele que tiver o menor tempo individual. Velocidades chegam a 60 km/h, e nas curvas os atletas precisam inclinar o corpo num ângulo entre 45 e 50 graus para aliviar a ação da força centrífuga, evitando assim uma caída e/ou acidente.

Pista Curta / Short Track: Atletas competem em grupos de no máximo até 6 pessoas. Velocidades chegam a 50 km/h, e nas curvas os atletas chegam a tocar o gelo com os dedos para manter o equilíbrio. Ultrapassagens são permitidas livremente por fora, já ultrapassagens por dentro só são permitidas

Principais competições

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Os principais campeonatos da Patinação de Velocidade são organizados pela ISU, desde que a federação foi fundada em 1892. As provas e regras diferem nos campeonatos masculinos e femininos. Existem diversas confederações nacionais que auxiliam no desenvolvimento do esporte de seu devido país, como exemplo as confederações de países como Holanda, Estados Unidos e Canadá.

img-principaiscompeticoes-pat-velocidade-5Campeonato Mundial de Patinação em Velocidade

A ISU organiza quatro campeonatos diferentes, três da disciplina Long Track (pista longa) e um da disciplina Short Track (pista curta).
Long Track – Uma das características mais importantes dos torneios Long Track é a pontuação, em que é utilizado o sistema “Samalog” em que os tempos das distâncias são divididos no número de vezes em que a distância da prova é maior que 500m, por exemplo, o tempo do atleta nos 1000m é dividido por dois (1000%500 = 2) e então os segundos são convertidos em pontos. É dividido em três eventos distintos, são eles:

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Campeonato Mundial All Around – É o mais antigo dos quatro eventos, e ocorre desde 1893 na categoria Masculino, e 1936 na categoria Feminino. Nessa categoria todos os atletas devem correr quatro distancias diferentes, e o que tiver a menor pontuação é declarado campeão. No masculino são corridas as distâncias 500m, 1500m, 5000m e 10000m, enquanto no feminino é corrida a distância 3000m ao invés da 10000m.
Maiores Vencedores:
Masculino – Sven Kramer (HOL) – 6 ouros e 2 bronzes
Feminino – Gunda Niemann (ALE) – 8 ouros e 2 pratas

img-principaiscompeticoes-pat-velocidade-6Campeonato Mundial de Sprint

É realizado desde 1970 e é um evento de apenas dois dias em que os corredores correm, em ambos os dias, as distancias de 500m e 1000m. Os tempos são convertidos e o atleta com menor pontuação é declarado vencedor.
Maiores Vencedores:
M – Igor Zhelezovski (BEL) – 6 ouros e 1 bronze
F – Karin Enke (ALE) – 6 ouros e 2 pratas

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Campeonato Mundial de Distâncias Singulares
Nos Jogos Olímpicos, todas as provas corridas são premiadas separadamente, o que impulsionou a criação de um campeonato mundial no mesmo molde das provas dos Jogos. Além disso, eram raros os atletas que conseguiam se especializar em provas curtas e longas. As distancias percorridas pelos homens são os 500m, 1000m, 1500m, 5000m, 10000m e a perseguição por equipes. Pelas mulheres, só não se corre a distância 10000m, e sim a 3000m. A primeira edição do campeonato foi em 1996, hoje ocorre anualmente, a não ser em anos olímpicos.
Maiores Vencedores:
M – Sven Kramer (HOL) – 13 ouros e 2 pratas
F – Anni Postma (ALE) – 12 ouros, 9 pratas e 1 bronze

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Short Track
Ocorre desde 1976, normalmente nos meses de Março ou Abril. É sediado anualmente em cidades diferentes a cada ano. As provas são todas singulares, e o atleta com a melhor colocação total é declarado Campeão Geral. São disputadas as distancias 500m, 1000m, 1500m, 3000m e o revezamento de 5000m para homens.
Maiores Vencedores (Geral):
M – Ahn Hyun Soo – 6 ouros e 1 prata
F – Sylvie Daigle – 5 ouros, 2 pratas e 1 bronze

Copa do Mundo da ISU

A Copa do Mundo consiste em diversas corridas ao longo de vários meses em que os atletas disputam cada distancia mais de uma vez. Ocorre desde a temporada 1985/86 e é a principal forma de classificação para os campeonatos mundiais. No final da competição, os/as atletas com as melhores classificações gerais em cada prova são declarados campeões. O número de corridas e eventos em cada temporada varia, mas normalmente é entre cinco e dez. Os homens disputam as provas dos 500m, 1000m, 1500m, o combinado de 5000m e 10000m e a perseguição por equipes. As mulheres disputam as mesmas provas, exceto pelo combinado, que é de 3000m e 5000m.

Maiores Vencedores (de provas, não de títulos):

M – Jeremy Wotherspoon – 67 vitórias, somando as categorias 500m e 1000m

F – Gunda Niemann – 98 vitórias, nas categorias 1000m, 1500m, 3000m e 5000m.

Patinação de Velocidade nos Jogos Olímpicos

A Patinação de Velocidade foi avaliada para ser incluída nos jogos de Verão de 1916, não acontecendo por causa da primeira guerra mundial. Nos jogos de 1924, em Chamonix, na França, a modalidade estreou apenas na categoria masculina, as provas presentes eram cinco: 500m, 1500m, 5000m, 10000m e Men’s All Round. Em 1960, a categoria Feminino estreou nas provas 500m, 1000m, 1500m e 3000m. Em 1976 e 1988, foram adicionadas, respectivamente, as provas 1000m Masculino e 5000m Feminino. Em 2006 a Team Pursuit (perseguição por equipes) foi introduzida em ambas as categorias.

O Brasil na Patinação de Velocidade

A patinação de velocidade do Brasil ainda é muito pouco difundida, e poucos atletas do país alcançaram o nível profissional. Em 2005 o Brasil obteve seu melhor resultado, quando o atleta Felipe de Souza conquistou o primeiro lugar na prova dos 500m da Copa do Mundo, por conta de um acidente envolvendo os outros competidores.


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